A fogueira cigana e uma noite sem insônia

Chegamos cedo, o fogo não estava aceso, as pessoas ainda não haviam chegado. Ficamos sem jeito, e até pensamos em ir embora, mas a curiosidade nos fez ficar. Era nossa primeira noite em uma festa cigana. Já tinha ouvido falar, já até tinha visto alguns ciganos na praça uma vez, lendo cartas, com suas roupas coloridas e muitas joias enfeitando as mulheres. Sempre com seus cabelos longos e flores nas madeixas. Mas uma festa, um ritual, era novidade. Nunca havia ido antes. Sentamos no cantinho perto da fogueira, com medo da fumaça, porque o vento estava na nossa direção. Fogo ateado, sequer sentimos o cheiro.

A cerimônia começou com uma oração a Santa Sara, a santa dos ciganos. A cigana que promovia a cerimônia foi explicando o ritual, disse que ali havia ciganos de sangue e de alma. Nós não éramos nem um, nem outro. Apenas curiosos com todo o movimento. Logo depois começaram as oferendas e o pedido pra fogueira. Em cada especiaria um pedido, um desejo, de coisa boa. Alecrim, anis estrelado, lentilha, café, açúcar, cravo. Saúde, prosperidade, força, doçura e no fim o pão consagrado com vinho indicando união e amor para fechar o ritual. O pedido deve ser cuidadoso, porque o fogo consagra tudo! O que pedir tem muita chance de se concretizar. Coração magoado ou ferido tem que ser cauteloso, deseje felicidade e alegria àqueles que um dia não entenderam o que vale nesta vida. Para mim desejei prosperidade e um amor de cinema. Daqueles que a gente se emociona do começo ao fim do filme. A música cigana, com sua sonoridade tão singular dava o movimento das saias e rodopios das mulheres em volta da fogueira. A lua cheia iluminava a noite que terminou com muita comida típica: Resso Romai e Risoto Alaketu. Já em casa pensava em cada detalhe, na dança, nos cheiros e dormi, como há muito não dormia. Sem acordar à noite, sem insônias, sem incômodos. E a lição que fica é a que todos já sabem: do amor só sai amor!

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