Dez anos passados e sigo igual, mas mais suave comigo mesma



Dez anos após ter feito este blog sigo sendo a mesma pessoa, quiçá com as mesmas angústias, mas hoje, já não sou tão cruel comigo mesma. A idade nos traz uma suavidade, que só quem já chegou aos 40 vai entender.

Quando tinha 20, acreditava que até os 30 deveria estar com a vida pronta, ter conhecido o mundo todo, ter minha casa, carro, família... Hoje, tenho algumas dessas coisas, outras não, mas quer saber? Isso não importa tanto assim. Já não dou a mesma importância!

Os 40, ahh os 40... Ele te ensina que a melhor pessoa pra você: é você mesma. Que antes de perdoar a qualquer um, é preciso se perdoar. É preciso se amar! Nunca vamos corresponder à expectativa do outro, mas posso corresponder às minhas! E as minhas precisam ser baseadas na minha história, na minha luta, não na que tentam me impelir.

Neste mundo de bits, de redes, de filtros para boca, cílios, dentes brancos... Essa construção está cada vez mais difícil. O tão sonhado padrão cada vez mais inatingível para pessoas comuns, como eu, como você, ou que simplesmente, não vêem problema em ser quem são. Estão em paz consigo mesmas.

Gosto de mim do jeito que sou, com minhas dobras, com meus cabelos brancos que já começam a aparecer, e acho muito chique quem os assume. Gosto da minha risada alta, de rir até doer a barriga, gosto de como sou e de quem me transformei ao longo da minha jornada.

Porque acima de qualquer bumbum duro, barriga chapada, aqui sempre foi amor, acolhimento e sinceridade. Não finjo ser o que não sou, não invento outra pessoa de mim mesma para agradar quem quer que seja.

E por isso, talvez, mesma sendo outra, mais suave, mais gentil comigo mesma, sigo sendo a mesma pessoa. Contraditória, às vezes, impulsiva, outras, e agindo, muitas vezes, sem pensar. Outras, penso tanto que não sei como agir. Paraliso!

Fico sem graça com comentários indiscretos, coro a face como uma menina.

Continuo falando mais que a boca. Conheço um monte de gente, mas, amigos verdadeiros tenho poucos. Bem poucos. E, na verdade, cada vez menos. A idade também nos mostra que não vale a pena ter um monte de gente ao redor. Pessoas dão trabalho. Tem que cuidar, cultivar, amar... É mais fácil amar a poucos.

Mas sigo com o coração sempre pronto a ajudar. Ainda não aprendi a perdoar. E acredito piamente que há coisas que não se perdoam. Releva-se. Porque confiança não se cola, depois de quebrada.

Como todos as pessoas sou complexa, com altos e baixos, mas se está entre meus poucos amigos, pode me ligar às 2h da manhã para ajudar a trocar o pneu, que eu levanto e vou.


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