Luto: uma dor que não termina, só muda a forma de sentir
Meus sentimentos. Meus pêsames. Calma, vai passar. São tantas as coisas que ouvimos quando uma pessoa que amamos morre, mas a verdade é que nenhuma delas nos é real. Não há palavra que aplaque a dor da perda. Não há nada que faça o coração doer menos.
Com o tempo vamos entendendo que temos que aceitar. Que o que não tem remédio, remediado está. Cai a ficha que a água não vai ser mais fervida às 5h da manhã para servir o mate. Que os resmungos já não serão ouvidos logo cedo. Aqueles resmungos que tanto nos incomodavam e que hoje nos fazem tanta falta.
Que o tereré não será servido na mesma frequência. A roda agora é menor. O luto nos faz perceber que até as chatices são lembranças que ficam. O que era ruim, vira saudade. E a gente até gostaria de uma briguinha boba.Quando meu pai se foi havia 10 dias que havíamos voltado a nos falar. Ficamos alguns meses sem nos telefonar. Uma vez ficamos dois anos. Hoje penso, por quê? Por que não damos o braço a torcer? Por que queremos tanto ter razão?
A gente sempre brigava. Quando menina eu nem ligava, fingia que não era comigo e íamos para a próxima reconciliação, a próxima briga, e ficávamos neste vai e vem. Mas com a idade isso passou a me incomodar e achava que eu deveria mostrar pro coroa que ele tava errado. Que bobagem.
A gente vai ficando velho e vai ficando mais rabugento em algumas coisas, não aprende não! A prova era eu querendo dar-lhe uma lição. Que bobagem, repito.
Há uma semana completou 6 meses que meu pai se foi. Com a data tantas lembranças voltaram à cabeça. Lembrei das nossas conversas, dele falando como eu deveria agir, me comportar e etc. Sempre cheio de regras.
Lembrei também de quantas pessoas já perdi. De quantas pessoas enterrei. E me perguntei: quando foi meu primeiro luto?
Lembrei de amigos que morreram quando eu era pequena, que não me causaram dor, apenas um estranhamento de ver pessoas tão jovens partir.
Lembrei do meu avô, e aqui tive a certeza que esta foi a primeira vez vez que senti a dor de alguém amado ir embora. Depois lembrei da bisa, do biso, das tias e tios bisavós e outras pessoas amadas por conhecidos meus que também se foram.
Envelhecer também é isso! É nos preparar para perder quem amamos e com o tempo nos preparar também para nos despedirmos.
Curiosidades sobre o luto em diversos países


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