É Júlio de Castilho ou Castilhos? Ninguém sabe ao certo quem é o homenageado de tantas avenidas no Brasil

Você sabia que existem dois Júlio de Castilho? Ou melhor, um Júlio de Castilho e outro Júlio de Castilhos. Os nomes de diversas avenidas pelo país, inclusive, aqui em Campo Grande, têm um pequeno detalhe: um tem "s" no final e outro não!

O senhor Júlio de Castilho, assim como seu quase homônimo, Júlio de Castilhos, foram homens importantes e tiveram vida digna de ser homenageada.

O português, Júlio de Castilho (sem s), nasceu em 30 de abril de 1840 e foi jornalista, poeta e escritor, com diversas obras publicadas sobre a cidade de Lisboa e uma importante coleção pessoal de documentos que compõem hoje a Biblioteca Nacional da Capital Portuguesa.

Júlio Prates de Castilhos, gaúcho de Cruz Alta, nasceu em 29 de junho de 1860, também foi jornalista e político. Foi eleito patriarca do Rio Grande do Sul pelos seus conterrâneos, foi o principal autor da Constituição Estadual de 1891 e o grande disseminador do ideário positivista no Brasil

O ideário positivista ajudou a transformar a política brasileira. Ele não consistia em restringir a liberdade, mas visava garantir sua ampliação. A defesa de uma educação pública, com a presença marcante da mulher, estava direcionada para a instalação de uma ordem livre, cujo conteúdo estava carregado pela formação da moral.

Vendo o currículo dos dois, é provável que o segundo seja o homenageado, pelas mudanças profundas que deve ter causado na política gaúcha e no Brasil, mas se assim for a grafia do nome está errada.

Alheios à discussão, os moradores da região, na verdade, não sabem nem quem foi um, nem quem foi outro.

A dona de casa Bernardina Lopes de Souza, de 75 anos, mora há 4 anos perto da avenida e confessa que nunca se interessou em saber quem dá nome ao local. “Nunca quis saber, nem sabia que existiam dois”, diz.

Assim como ela, o cabeleireiro Sergio Antonio Barbosa, de 51 anos, que há 20 trabalha na região, diz que não sabia quem foi Júlio de Castilho.

O único que chegou mais próximo foi o representante de venda João Paulo de Souza, de 74 anos. “Não sei quem é, mas com certeza foi algum escritor famoso”, chutou, acertando, se a homenagem realmente for ao português.

Nem na Arca (Arquivo Histórico de Campo Grande) e nem na Câmara Municipal de Campo Grande há registro sobre quem seria a homenagem com o nome da Avenida Júlio de Castilho. O Decreto de n. 4.075/77, que dá o nome da Avenida, de acordo com assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) informa apenas que a grafia correta é Júlio de Castilho.


Dá série matérias que amei escrever e nunca me esqueci 💗


* Esta matéria foi publicada há alguns anos no Jornal Midiamax quando eu trabalhava lá como repórter. Foi uma das matérias mais legais que já fiz, cheia de curiosidades do nosso Braseeel. 

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