A cultura de cancelamento e a corrida desenfreada por likes. Onde uma cultura se choca na outra?





Que o mundo está de ponta de cabeça faz horas que todo mundo já sabe. É tanto despropósito que vemos por ai, que o absurdo passou a ser normal. O que deveria nos chocar, aplaudimos. O que deveria nos provocar, ignoramos.

Cito dois casos, especificamente, que tomaram conta das redes sociais nos últimos dias. Retomo a fatídica noite do Oscar, em que Will Smith se descontrolou. E também me lembro da história do mendigo de Planaltina.

A cultura de cancelamento e a corrida desenfreada por likes têm levado às pessoas a agirem de forma nunca visto antes, pelo menos, nestas proporções. Mas onde uma cultura se choca na outra? E o que ela faz com seus protagonistas?

A história do Oscar, depois de todo o bafafá, fez com que Will se decidisse por uma internação em um clínica de reabilitação após ser cancelado por todos. Na grande noite em que ganhou um Oscar, o astro de Hollywood perdeu o controle e deu um tapão no colega comediante Chris Rock após piada de mal gosto com sua mulher. 

A partir daí, não faltaram julgamentos para sua conduta e o que era para ser mais um grande marco na carreira do ator, vira um pesadelo. Ele vê projetos serem cancelados: Netflix e Apple que travavam uma disputa para contar a história do ator de 53 anos, desistem dos planos. A Sony e outro grande estúdio que também teriam projetos com o ator, suspendem por tempo indeterminado. E até o tão sonhado Oscar, pode ser que tenha que ser devolvido.

É cancelamento, atrás de cancelamento. Essa política que destrói carreiras virou uma prática usada por muitos nas redes sociais nos últimos anos, e o eleito da vez, vê sua vida ruir. O mundo, que é retratado em perfeição no Instagram não aceita erros. Mas, estranhamente, passa pano para situações absurdas como o caso do mendigo de Planaltina que é tratado como coach do amor.

Uma mulher surta, é flagrada com o mendigo no carro pelo marido, que, por sua vez, se descontrola e o espanca, e está pronto o enredo. Claro, que o marido errou em bater no homem, mas daí as pessoas acharem isso normal e começar a tratar o cara como o último romântico é absurdo demais.

Para terem uma ideia do disparate, a repercussão do caso foi tão grande que pelo menos quatro partidos políticos o teriam convidado para ser candidato nas eleições de 2022. Agora, o que ele poderia oferecer para o poder legislativo, além da fama repentina?

Recentemente, segundo matéria publicada no UOL, o homem teria se envolvido em mais uma polêmica. Conforme um vídeo, que começou a circular pela internet no fim de semana passado (02/04 e 03/04), Givaldo teria tentado beijar uma mulher à força.

Nas imagens, de acordo com o texto publicado, é possível observar o momento em que o morador vai em direção ao rosto da mulher e, logo depois, tenta beijá-la. A mulher desvia e fica visivelmente desconfortável com a situação.

Tem ainda quem está tentando pegar carona na fama repentina do morador e ganhar likes. Uma influenciadora digital aparece em vários vídeos, feitos por ela, com o homem. Em um dos registros, ela aparece beijando o morador em situação de rua em uma festa privada, onde os dois marcaram presença, com direito a champagne e muito luxo.

Agora, pensem, como a empresária, que segue hospitalizada, vai encarar a vida? Como o marido dela vai enfrentar trabalho, amigos, família? Essa política de julgamentos arruína tudo que passa pela frente, sem olhar para trás, sem dar chance de defesa. E depois que tudo rui, difícil é encontrar algo que possa ser reconstruído.

 

Comentários

Postagens mais visitadas