A bipolaridade e suas péssimas escolhas. Como lidar com a doença sem fazer m3rd@


A bipolaridade, ou melhor, o transtorno bipolar, é um distúrbio psiquiátrico complexo, que leva a pessoa que possui esse transtorno a fazer péssimas escolhas. Marcado pela alternância entre episódios de depressão e de euforia; as crises podem variar em intensidade, frequência e duração, e muitas vezes, o bipolar está tão animado, que pode agir como se fosse o rei do camarote. Paga tudo, ri de tudo. Outras vezes, sente uma falta de ânimo tão grande, que ir à esquina comprar pão, é uma tarefa difícil.

 

Sua característica mais marcante é esta alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia (mania e hipomania) e de períodos assintomáticos entre eles. As crises podem variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração. As flutuações de humor têm reflexos negativos sobre o comportamento e atitudes dos pacientes, e a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho ou, até mesmo, independem deles.

 

Uma mensagem no whatsApp do chefe pode ser um gatilho, se está em crise. O chefe só quer avisar para chegar mais cedo, mas em estado de hipomania, já criou toda uma história, que será despedido, vai passar filmes e filmes na cabeça, pensando o que poderia ter feito de errado e etc. Lidar com um cérebro tão complexo e com tantos altos e baixos gera um desgaste enorme de energia. E muitas trapalhadas pelo caminho.

 

Uma vez em estado de mania exagerei na dose. Bebi tanto que nem me lembrava o que havia acontecido na noite anterior. Dormi na casa de uma amiga, porque não tinha condições de dirigir. Quando acordei e entrei no carro percebi a chave de outro carro comigo, desci e toquei a campaninha, porque achei que fosse do carro desta amiga. Aí ela me explicou que não, que na noite anterior o bar inteiro, inclusive eu, ficamos procurando a chave do carro de um senhor careca. Eu não me lembrava de nada.

 

Fiquei sem saber o que fazer. O certo, provavelmente, teria sido eu ter ido até o bar e devolvido a chave. O que qualquer pessoa “normal” faria. Mas, eu paralisei e fiquei sem saber como agir. Fiquei envergonhada, porque não me lembrava o que havia ocorrido e guardei a chave.

 

Tempos depois conheci um senhor careca, no mesmo bar e a história ficou me cutucando. Algo dizia que eu deveria perguntar se era dele, mas, mais uma vez, me acovardei. Não tive coragem de perguntar. Passaram tantas histórias na cabeça. O que poderia pensar? O que aconteceria comigo? Será que cometi alguma infração? Tanta coisa...

 

Em fase maníaca, comecei a achar a história engraçada, e até comente com algumas pessoas sobre o fato. Ri de mim mesma por ter feito tal trapalhada. Outros objetos estranhos também apareceram do nada e eu ri. Até percebi, que isso sempre acontecia em momentos de muita bebida, seguido de amnésias, e que isso está ligado à doença.

 

Foi quando me toquei que a única forma de melhorar meu comportamento é me observar atentamente e entender as fases da doença – mania e hipomania. O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado.

 

O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (ou seja, que interferem no cérebro), muitas deles fazem parte do nosso dia a dia (cafeína e álcool, por exemplo) e o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono para a  redução dos níveis de estresse.

 

A psicoterapia é outro recurso importante no tratamento da bipolaridade, uma vez que oferece suporte para o paciente superar as dificuldades impostas pelas características da doença, ajuda a prevenir a recorrência das crises e, especialmente, promove a adesão ao tratamento medicamentoso que, como ocorre na maioria das doenças crônicas, deve ser mantido por toda a vida.

 

Se você sofre com a doença ou conhece alguém que possa tê-la procure ajuda médica.

 


(Com informações do site do Dr. Drauzio Varella)


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