Uma gravidez inesperada, o show do Metallica e dinheiro no chão

Era o ano de 2014 e o Metallica anunciou uma mega turnê no Brasil e em vários países latinos americanos. Quem ama a banda e viveu toda a adolescência ao som de Battery, Master of Puppets, Welcome Home (Sanitarium), Ride the Lightning, The Unforgiven, Lords of Summer, Fuel, Sad But True entre tantos outros clássicos já sentiu o coração disparar.

Afinal, já pensou ver Slayer, James Hetfield, Lars Ulrich e James Hetfield ao vivo? É demais, né? Ana se imaginou no show, batendo cabeça e tendo todas as emoções dos tempos de headbenger.

Uns amigos dela começaram a se organizar para comprar o convite para o show em Assunção, no Paraguai. Como ela conhecia a cidade, logo, a chamaram pra ir também. Mas, a pobre tava quebrada, sem um puta furado, e comprar o tão sonhado convite não rolou. Aceitou a derrota!

Assistir no Brasil então, sem chance, ai que não era viável mesmo. Incrível como tudo no país tupiniquim é mais caro. Para ver ídolo então, quase um rim! Mas quando é para acontecer, acontece. E as ciosas mais estranhas conspiram a favor.

Um dia, do nada, uma amiga dela que comprou o convite liga e diz para ir até sua casa. Notícia boa em dose dupla. A amiga que sonhava em ser mãe estava grávida e havia desistido da viagem e a presenteou com o convite. Ela nem acreditou!

Falou com o chefe, pediu uns dias de folga, e sob a condição de fazer seu trabalho em homework de lá, a liberou. Todos os dias enviava o que foi combinado.

Mas voltando ao início da viagem... De Campo Grande Ana saiu em caravana. Ao entrar no ônibus avistou vários rostos amigos e outros que se tornaram conhecidos.


Chegando à capital paraguaia, já no terminal rodoviário cada um tomou seu rumo. Alguns amigos dela foram para hotéis ali perto, outros para hotéis mais distantes e ela se hospedara na casa de amigos, já que conhecia muita gente por lá. Além da viagem, ganhou um tempo com pessoas que amava e há muito não via.

No dia do show o grupo de Campo Grande foi todo junto. Chegaram ao estádio cedo para evitar filas e empurra e empurra. Não adiantou muito, mas estavam animados. Ao adentrar o estádio, uma amiga dela de Campo Grande olha e diz: eu trouxe um doce pra gente e pede para Ana abrir a boca. Ela abre a boca e amiga põe um papel dentro. Que coisa com textura estranha, pensou. Achou esquisito, nunca tinha tomado, mas deixou pra lá.

Curtiu o show como nunca antes. Pulou, dançou, riu e jurou de pés juntos que o tal doce não tinha dado efeito. No fim do show olha bem para cara do amigo e diz: vamos procurar dinheiro no chão, as pessoas sempre perdem. E passam horas procurando até que percebem que era a loucura do doce e riem sem parar.

Nesse meio tempo, perderam todos os táxis disponíveis. O jeito foi voltar de ônibus lotado até um trecho e depois seguir a pé. Na busca pelo tesouro perdido, se esqueceram de tudo, menos dessa história.

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