Nossa viagem ao Hospital do Cancêr de Barretos

Na viagem de ônibus até Barretos fomos cheias de fé, juntas com outras pessoas que assim como nós vão para lá fazer tratamentos de câncer que não são oferecidos no estado.

Dona Maria Orlanda conta que vai fazer iodoradioterapia, o mesmo tratamento que minha mãe. Diz que já fez todos os exames e pergunta nossos nomes para saber quem será sua companheira de quarto.

A ‘vizinha’ da poltrona da frente, Maria Luiza, ouve a conversa. Ela diz que fará o mesmo procedimento e reclama da dieta.

Para fazer o tratamento é preciso ficar um mês sem comer sal iodado e depende do grau da doença laticínios e outros alimentos também são cortados do cardápio.

Dona Orlanda diz que só de pensar no sal ‘especial’ já repugna. Minha mãe acha que é psicológico, disse que não sentiu diferença no sabor. Eu provei a comida e concordo.

As três conversam, tentam adivinhar quem será colega de quarto de quem e ressaltam o atendimento do hospital de Barretos. É unânime. Todos elogiam o atendimento do hospital, o carinho dos médicos, das enfermeiras, não tem quem não se impressione. Saúde humanizada existe.

Quando fomos para lá pela primeira vez, viajamos receosas, por não saber o que iríamos encontrar. Mas já no primeiro dia na cidade a insegurança foi embora e a esperança voltou ao coração.

Barretos, ou melhor, o povo de Barretos é muito acolhedor. E mesmo o hospital da cidade sendo referência em tratamento de câncer e pessoas doentes e muito debilitadas serem ‘turistas’ comuns na região ninguém é imune à dor.

Em todos os lugares, as pessoas têm cuidado e carinho com que chega a região. Com exceção da festa do peão, que acontece agora em agosto, o grande fluxo de ‘turistas’ é para o Hospital Pio XII.

A rodoviária não pára. É gente chegando e saindo o tempo todo. Os hoteizinhos perto do hospital têm que reservar com antecedência. Quem deixa para ultima hora ou paga mais caro ou fica em local bem simples, sem banheiro individual.

A gente reservou pela internet. Tudo muito rápido e fácil. Chegamos, descansamos e no outro dia cedinho demos entrada para internação. A mãe ficou no mesmo quarto da Dona Maria Orlanda. Muito religiosa, ela deu uma novena pra minha mãe de presente. Disse que é poderosa, que cura tudo! A mãe já começou a rezar.

Em apenas um dia a mãe já estava liberada. Sua colega precisou ficar mais tempo. A taxa de radiotividade ainda não havia baixado. Maria Luiza foi liberada no mesmo dia. Nos encontramos na saída. Estava feliz porque tudo havia corrido bem.

A mãe ficou encantada com o carinho dos funcionários. Ela conta que a todo momento vinha um para ver como elas estavam. Que a comida era boa. E que dona Orlanda ronca.

A comida, inclusive, é servida a todos que estão em tratamento no hospital como para seus 
acompanhantes. O hospital entrega uma ficha para quem quiser se alimentar na casa de ‘Madre Paulinia’. São seis mil refeições diárias.

Ao todo, o hospital atende três mil pessoas por dia, de todas as partes do país. Pelas ruas, ao redor do hospital, se vê vans e microônibus desde o Rio Grande do Sul até do Amazonas. São pessoas que vêem de longe na esperança da cura. Os atendimentos são 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar de todos esses números o hospital tem um deficil mensal de cerca de R$4 milhões. Para saber mais clique http://www.cliquecontraocancer.com.br/hospital.cfm.

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